Gêneros Cinematográficos: Ação | Papo de Cinema



Para sair um pouco das críticas, vou trazer esses dias em nossa coluna, Papo de Cinema, um texto sobre os gêneros cinematográficos, afinal, sabemos que ele existe, mas será que já paramos para analisar e entender eles? 

Pensando nisso, fundamentei meus argumentos na obra “Manual dos Gêneros Cinematográficos”, de  Luís Nogueira, para trazer esse estudo, na edição de hoje, vamos falar um gênero que todos curtem, a boa e velha: AÇÃO.

Segundo Nogueira, a ação é marcada por grande apelo popular, grande sucesso comercial e talvez o que os críticos mais torcem o nariz, justamente pela forma que se apresenta: de maneira rápida e maniqueísta com os temas abordados.

O gênero de ação do ponto de vista narrativo é marcado por características marcantes como: sequências frenéticas de ação, grandes cenas de perseguição, batalhas grandiosas e principalmente cenas de explosões megalomaníacas. Tenho certeza que já veio algumas cenas e filmes na sua cabeça ai, não é mesmo? Então vou trazer aqui alguns exemplos. 

Um clássico recente para ilustrar as cenas de ações frenéticas podemos pegar o exemplo de Vingadores Ultimato, em que logo após os heróis conseguirem regressarem os que estavam desaparecidos ao encontro dos Vingadores principais para a batalha final, contra Thanos e seu exército, antes daquela fala de Capitão América “Vingadores, Avante!!”, ali já podemos esperar uma sequência de ação em que Pantera Negra usa o seu poder para segurar a manopla de Thanos, enquanto que Feiticeira Escarlate usa sua magia para estourar a armadura do vilão. Já do outro lado temos o Homem Aranha entrando em modo de combate para proteger a manopla entregue pelo Pantera Negra, e abrir caminho para poder vencer a batalha. Ultimato cumpre não só no sentido de grandes cenas de ação , mas também de batalhas grandiosas. 



No filme Velozes e Furiosos 5: Operação Rio, temos uma cena frenética de ação em que Toretto e sua equipe além de roubar um cofre de um corrupto, ainda consegue desviar de todos os carros de polícia da sua frente em uma cena eletrizante de perseguição. Falando em explosão, me veio a mente aquela cena em Transformers - A vingança dos Derrotados, bem no início do filme em que a Equipe Next, formada por Autobots e humanos, entram em uma missão para acabar com os Decptcons na terra, e logo nessa cena, há um Decptcon formando dentro de um trator, uma explosão monstruosa.



“Os heróis e os vilões são claramente caracterizados e contrapostos, recorrendo muitas vezes a soluções de fácil descodificação semiótica, como a indumentária ou a própria fisionomia.” Muito legal, parar para pensar, o vilão é sempre aquela figura feia, ou suja, porca, enquanto o herói é sempre aquela figura bela, bonita, polida. Isso os filmes fazem questão de mostrar quem é o mocinho e quem é o vilão, esse não precisa ir muito longe, o próprio Matrix, e principalmente o Matrix Revolutions, aquela cena em que Neo e Agente Smith fazem um duelo épico na chuva, ali é a definição clara de luz e trevas e os grandes contrapontos.



“No que respeita à sua morfologia, ela assenta, sobretudo, numa aplicação de fórmulas bastante convencionais e facilmente reconhecíveis: um ritmo trepidante da montagem que serve sobretudo ao rápido desenvolvimento da ação e à intensificação dos picos dramáticos, uma planificação estilisticamente clássica e segura que reserva para cada plano uma função narrativa e dramática bem específica e inequívoca, uma utilização da música que sublinha emocionalmente o tom de uma situação ou o estado de uma personagem e um uso da fotografia sempre ao serviço da fácil descodificação da narrativa”. Já a minha análise sobre esse trecho é que asseguro que isso acontece com muita frequência, os longas de ação são pensado de forma em que fica fácil do telespectador entender qual é a mensagem, justamente por ser mastigado e entregue a quem assiste. Ao pensar na narrativa, podemos ver que as obras usam uma estética clássica e segura, ou seja, abusa dos clichês mais tradicionais e até a edição da obra é montada de forma rápida em um ritmo frenético para que o telespectador não tenha o que pensar, apenas receber em escala frenética as cenas. Mais uma vez volto com Velozes e Furiosos 7, praticamente na primeira cena em que Decakrd Shaw invade o escritório de Hobbs para pegar informações da equipe de Toretto, ali a sequência é toda trabalhada em planos, ângulos, edição e fotografia de tirar o fôlego, além do bom embate entre as duas figuras, as cenas são muito bem compostas, desde a cena em que Hobbs da uma chave com uma câmera virando em ponta cabeça seu arqui-inimigo e até a cena em que, salva sua parceira Helena de uma bomba, ao cair no carro de costas, segurando uma mulher e não quebrar nenhum osso. Observa só se não é o conceito perfeito da ação!

“As convenções deste género são das mais facilmente reconhecíveis e poderíamos falar, a título exemplar e quase paródico, de uma estética do estilhaço, da explosão, do salpico e da tangente: os estilhaços que rodeiam o personagem nos tiroteios mais desvairados; a explosão que arrasa cidades, edifícios ou mesmo planetas; os salpicos de sangue que se tornaram um dos elementos gráficos fundamentais da representação da violência; as tangentes das balas que, milagrosamente, nunca atingem o protagonista, solitário e invulnerável”. Ingredientes importantes que dão o tom do longa de ação, a certeza é que os tiros são personagens quase que principais em sua grande maioria, um exemplo disso que essa grande fórmula é Homem Aranha de Sam Raimi, na cena em o Homem Aranha vai salvar pessoas no incêndio e se depara com o Duende Verde, no diálogo vemos que Duende faz um convite para se aliar a ele, o amigo da vizinhança recusa, com isso o antagonista lança pequenas lâminas para acertar no herói e então ele tem que desviar delas. É um show de efeitos e ingredientes especiais que deixam o filme de ação ainda mais frenético e da gosto de assistir!!!



“Este gênero assume-se nitidamente como entretenimento, não visando colocar à discussão temas controversos ou problematizar situações ambíguas. O seu objetivo é, portanto, proporcionar ao espectador uma experiência de grande hedonismo. Os filmes tendem, desse modo, a esgotar o seu potencial hermenêutico muito rapidamente”. Não se preocupe, o gênero de ação não está preocupado em discutir um tema importante com você como assédio sexual, relacionamentos abusivos, estupro, aborto, sexo e muitos outros temas. Em minha visão fazendo um contraponto com a ideia do autor, ele só preocupa em meramente entretenimento e reforçar o prazer em estar ali, naquele momento, curtindo aquele filme de ação, muitas vezes, arrisco a dizer que usamos os filmes de ação como fuga da realidade ou “válvula de escape”.

Essa foi a minha análise do gênero de ação, diz ai nos comentários. Qual próximo gênero cinematográfico você quer estudar?


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