Gêneros Cinematográficos: Animação | Papo de Cinema

Para os amantes de Walt Disney, DreamWorks, Sony,  Warnes Bros, chegou a sua hora. Hoje vamos dar uma analisada de perto, no cinema de animação, lembrando que nosso estudo é baseado no livro “Gêneros Cinematográficos” de Luis Nogueira.


Segundo o autor, o conceito animação, podemos entender que é uma sequência de imagens que criam em nossa retina. Isso é um fenômeno, uma ilusão de movimento, cuja a teoria é explicada por Peter Mark Rotget. Valeu viu Mark, se não fosse essa sua teoria, estaríamos todos perdidos sobre entender esse conceito.


“A animação prestar-se-ia, por isso, a conviver pacificamente com uma certa impressão de irrealidade – ao contrário do cinema convencional, onde a impressão de realidade tende a ser fundamental – e a suspender, manipular, subverter ou desafiar as leis e convenções do mundo como o conhecemos: as leis da física, as normas culturais, as premissas éticas, etc.” Gostei muito desse trecho de Nogueira, se me permite analisar, vamos juntos.  Achei interessante, se o  cinema convencional gosta de trazer a realidade, o cinema de animação busca subverter e surpreender tudo o que conhecemos, o que é um máximo, se pegarmos um exemplo de “A Bela e Fera”, Lumiere e  Holorge, um castiçal e um relógio ganham vida, passam a falar, gesticular, fazer piadas e quebrar todas as regras, no mesmo exemplo, podemos pegar a música “A Vontade” em que Lumiere canta para Bela ficar a vontade com o jantar que está sendo preparado, até em um trecho da música que ele fala:

À vontade, à vontade
Prove a nossa qualidade
Ponha o guardanapo agora chérie
E sirva-se à vontade
Soup du jour e os hors d'oeuvres
Veja se o serviço serve
É um serviço que tem vida
Observe se duvida
Tudo canta, tudo dança”


É interessante esse   discurso no canto, além de tudo poder ficar a disposição de Bela, tudo tem vida, canta e dança

“O exagero será talvez o princípio fundamental da animação cartoon, mas é igualmente frequente numa animação mais realista. O exagero pode incidir sobre diversos aspectos: aparência, personalidade, movimentos, cenários ou situações em que são exageradas as características importantes que definem a personagem ou o acontecimento.” Falar de exagero, pensamos logo em quem, essa mesmo; Branca de Neve, acho que não tem quem entende de exagero igual aquela cena em que Branca de Neve escuta do Caçador para fugir dos aposentos da madrasta então ela vai correndo exageradamente  para a floresta, ali toda a sua expressão, personalidade, movimentos, tudo isso é retratado de maneira coesa e completamente  linear, mesmo sabendo que aquilo nunca aconteceria de maneira  normal, a animação preocupa em trazer o tom cartoonesco de forma intensa.

Falamos um pouco sobre os conceitos, agora vamos falar sobre a história em si, do cinema de animação. Segundo o autor, a pré-animação surgiu com as figuras rupestres, de representar os movimentos e a vida desde o homem das cavernas. “É aí que podemos identificar as primeiras Formas – ora mais ténues, ora mais deliberadas – de representar o movimento e a vida nas próprias imagens. A sobreposição de múltiplas pernas ou a própria dinâmica da coreografia de certas ações  parecem evidenciar um esforço de captação e simulação do movimento.”


Se os irmãos Lumiere, foram responsáveis por trazerem o aparelho optico e gerar movimentos, George Melies foi pioneiro por trazer a técnica, ele foi praticamente, o “Pai dos efeitos visuais”, ele que trouxe a magia, a ilusão,  de efeitos que conhecemos como o “stop-motion”.  Somente na Europa, em 1908, Emilie Cohl foi responsável por trazer pequenos filmes animados com um dos mais conhecidos “Fantasmagorie”, desenhos que se metamorfoseiam de várias maneiras e situações. Já na Rússia, Laislaw Starawicz, foi responsável por trazer filmes com técnicas de stop motion de grande sofisticação, um triângulo  amoroso tendo como pano de fundo um espetáculo cinematográfico chamado “The Cameraman’ Revenge” em 1911. Se avançarmos um pouco mais na história chegamos no pai de todo o cinema de animação Walt Disney, sucesso com Branca de Neve e os Sete Anões, responsável por trazer uma estética que ficou no  imaginário comum . Walt atingiu sua maturidade no universo da animação com técnicas inovadoras como a pencil test, um processo de desenhar a lápis, em papel, uma sequência de animação, antes de avançar para a sua representação e pintura em acetato.


O dono da casa do Mickey ainda foi responsável por trazer filmes clássicos e se consolidar no gênero  como Pinóquio, Dumbo, Bambi em que se consolidou por trazer o cinema de animação de maneira clássica. “Tradicionalmente – e durante décadas – se entende por animação clássica. Seria esta modalidade (estética e técnica) que, de algum modo, devido ao sucesso massivo das produções da Disney, ofuscar as mais diversas (e, muitas vezes, bem mais ousadas) formas de animação”. Vale ressaltar que a Disney se inovou tanto nessa modalidade, devido a sua estética e técnica que era impossível não ser sucesso, como consequência acabou ofuscando muitas e muitas vezes outras formas de animação.


E por último e não menos importante, vou trazer por minha própria conta, um dos concorrentes mais legais da Disney, a Dreamworks. Em Outubro de 94, aconteceu um marco, imagina o encontro de Steven Spiberg, o executivo musical David Gefften e o ex-executivo da Disney Jeffrey Katzemberg, fundaram a  Dreamworks. Outro marco importante foi o filme “Formiguinha Z” , primeiro longa lançado para concorrer diretamente com a Casa do Mickey, o estúdio investiu pesado em técnicas de computação para gerar um novo estilo de animação. FormiguinhaZ se destaca não só pela qualidade técnica mas elenco e principalmente enredo. Me arrisco a dizer que a  DreamWorks tem até uma pegada mais questionadora do meio em que vive, se a Disney muitas vezes só colocam os personagens de maneira passiva e que não se preocupa em questionar o meio em que vive, o legado de Katzemberg veio para questionar a realidade. Z, nosso protagonista no primeiro longa, se destaca, ele não só questiona o porquê das formigas serem operários ou soldados mas também reforça o desejo de viver longe do formigueiro. Formiguinha Z  foi sucesso de crítica e público, 96% no Rotten Tomatoes, além de marcar por sua qualidade técnica e cargas centradas de humor na medida certa para encantar crianças e adultos. Já deu pra ver que a Dreamworks não estava para brincadeira né?

Por hoje é só, agora me diga nos comentários o que achou de nossa análise de gênero?


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