Branca de Neve e os Sete Anões | Papo de Cinema

O primeiro Papo de Cinema de 2021, hoje vamos ressuscitar um clássico, que está disponível no serviço de streaming do camundongo mais famoso, falaremos hoje de Branca de Neve e os Sete Anões.

Um convite ao mundo dos contos de fadas, regado a idealização do amor romântico e  a beleza em como a  mulher se encaixa nas relações humanas.

Branca de Neve e os Sete Anões, um clássico, tanto pela forma da narrativa, os traços do desenho, a revolução da adaptação, sucesso de crítica e bilheteria com mais de 1 Bilhão e 400 mil dólares, além de ser a primeira animação feita pelo próprio Walt Disney, o dono dos estúdios do Mickey, não só pensou nos personagens como também chegava a imitar exatamente os trejeitos dos personagens em sua primeira obra. Só por isso já dá pra entender o tamanho estrondoso de seu sucesso.

A história adaptada dos contos dos irmãos Grimm conta a história de Branca de Neve, uma princesa aprisionada no castelo de sua madrasta, sendo escrava, exercendo tarefas domésticas e serviços braçais. O ponto de partida da história se inicia quando a madrasta ao invocar o Espelho Mágico  com o  famoso bordão clássico “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu? Ao questionar isso, o Espelho responde mostrando que Branca de Neve é a mais bela, em um ataque de inveja pela beleza da enteada, toma um atitude drástica, ordena que um Caçador que a execute e como prova tire o seu coração e coloque em um baú pequeno.

Por outro lado, Branca de Neve, representa aquela mulher que acredita no amor que o príncipe vai lhe satisfazê-la em todos os sentidos, o amor de Branca é criado totalmente nas suas idealizações, tudo aquilo que a figura masculina pode representar, o amor é regado a canções e gestos delicados que dão  o tom da protagonista. Branca de Neve tem todo uma inocência ao se assustar com o Caçador e a forma como encara a vida, ela não só vive uma idealização, como custa a entender qual é o seu lugar, sendo longe ou perto de sua Madrasta.

A jornada da protagonista passa por momentos interessantes, ao passar pela floresta e encarar os seus maiores medos, ali as coisas não são o que parecem, mas por estar com tanto medo, acaba a a consumindo de forma dramática, apesar da atuação robotizada e mecanizada, a princesa consegue passar todo o seu tom na fuga da floresta, galhos na água que representam crocodilos, árvores que galhos puxam seu vestido, cenas escuras que afirmam o quanto ela está perdida em seu lugar e até em que lugar ela vai parar.

Do lado antagônico da história, temos a Rainha Má, alguém que sempre teve inveja, é válido destacar a atuação e o tom da personagem muito discreto em preparar seus planos para surpreender Branca de Neve e seus aliados. Na cena em que ela se torna uma velha com o cesto de maçã, é possível ver em detalhes, o tamanho da maldade do ser humano e o que ele é capaz de fazer para tomar o lugar de outro.  Já dizia Ainsten; “O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquela que permitem a maldade. Pensando um pouco nisso e analisando friamente é por conta de pessoas como a Rainha Má, pessoas tão reais que se permitem a inclinação para o que há de pior no ser humano e esse talvez seja uma das motivações da vilã mover tanto a história e fazer com que Branca de Neve assuma determinadas posturas.

No alívio cômico temos os   7 anões, cada um por o nome de sua personalidade: Zangado, Soneca, Mestre, Atchin, Dengoso, Feliz  e Dunga. Juntos eles formam algo grandioso,  leve , trazendo um equilíbrio entre a protagonista e a antagonista, mais separados e individualmente em sua personalidade e pessoalidade são interessantíssimos de fácil afeição ao a o telespectador. Destaco para Dunga, o único anão que não consegue falar mas expressa de forma tão clara e limpa, trazendo gargalhadas,  a impressão que dá  é que Dunga seja o caçula dos seus irmãos e talvez o mais sensível, desde na mina de Diamantes ao achar um Diamante, ele coloca em seus olhos e sorri em uma expressão inocente e sensível, ficando feliz pela sua conquista até a vez em que ao sair para trabalhar, volta para Branca de Neve para tentar receber mais um beijo na cabeça. Do outro lado temos Zangado, em um comportamento extremamente machista, Zangado é aqueles homens ignorantes, de cabeça fechada que não aceita ser contrariado e vê a figura da mulher como sua inimiga, em uma de suas falas ao se deparar com Branca , o pequeno homem afirma que as mulheres são falsas e cheia de sortilégios, ou seja, são más e sedutoras. O que me chama atenção na união de Branca de Neve com os Sete Anões é que mesmo ela já saindo do controle de sua Madrasta, ao chegar na casa dos anões, ela ainda assim se assume em um papel materno e funções domésticas como ; mandar os anões lavarem as mãos para comer, limpar a casa, lavar os pratos, colocar roupas para estender e até preparar  jantar e tortas para os anões.

E de um lado ainda distante, mas, presente na narrativa, temos o Príncipe, figura pomposa, bela e que sua função é apenas salvar sua princesa. Ele sempre aparece de maneira pontual no filme, temos apenas alguns momentos que ele entra em cena, mostra sua função e sai de cena.

No início do filme ele sai do seu cavalo, pula o muro do castelo e vai de encontro a voz, por ser tão bela, já há um encontro romantizado. Já quase no ato final da animação, ele retorna apenas para beijar a princesa, quebrar o feitiço e levar sua amada para seus aposentos, dando uma ideia de um casamento.  O Príncipe nem está no embate final com a Madrasta, quem vai lutar por Branca são os anões, entende como a figura masculina do homem ideal é totalmente pensada para salvar sua donzela? Apesar de que seu papel possa parecer descartável ao longo do enredo, o arquétipo do príncipe aqui é mais uma vez reforçar a ideia do amor romântico em salvar sua amada e autenticar o fato do “felizes para sempre”

A trilha sonora da animação ainda consegue prender de forma, bem construída, desde as canções cantadas, aos complementos de sons e efeitos que ajudam a contar a história e nos transportar para o mundo do conto de fadas de maneira inteligente e harmoniosa.

Vale uma menção honrosa para as técnicas usadas na animação, os desenhos foram pensados e escritos, quadro a quadro, com um cuidado para pintar cada cena e animar. É possível de ver como a fotografia e a montagem se relacionam bem com a forma em que a obra foi pensada.

Branca de Neve e os Sete Anões me encanta pela sua poderosa temática, desde a questão da beleza das mulheres desde muito cedo, como que desde sempre as mulheres tem que parecer mais belas que as outras, a competição em ser mais bonita que tal fulana e como a indústria gera uma certa competitividade, ou até outro tema como o ideal do amor ainda é falado em pleno século XXI, apesar de formas diferentes de se expressar o amor.

Texto escrito por Marcos Tadeu



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