Brutal Paraíso talvez cause estranheza na primeira audição. E isso pode acontecer justamente porque o álbum não tenta repetir a fórmula dos trabalhos anteriores de Luísa Sonza.
Doce 22 e Escândalo Íntimo foram álbuns gigantes, cada um retratando um momento da artista. Esperar que ela faça o mesmo disco para sempre seria contraditório. Se repetisse a fórmula, diriam que estava se copiando e jogando no seguro. Como resolveu seguir outro caminho, passou a ser vista por muitos como uma artista "perdida" ou dona do pior álbum da carreira.
É o melhor álbum dela? Na minha opinião, não. Mas também está muito longe de ser ruim. Se existe um problema em Brutal Paraíso, talvez esteja no excesso de faixas. A estratégia de um álbum longo funcionou em Escândalo Íntimo, mas aqui nem todas as músicas têm o mesmo impacto, o que acaba prejudicando um pouco a experiência como um todo.
Ainda assim, o disco entrega composições densas e explora camadas inéditas na discografia da cantora. Talvez por isso ele exija mais de uma audição. As primeiras faixas não são, para mim, as mais fortes, e muita gente pode nem chegar a músicas como Santa Maculada, Es Lo Mio e O Som da Despedida, uma das melhores do álbum.
O público costuma pedir inovação, mas quando um artista sai da zona de conforto e apresenta um trabalho com uma identidade diferente, muitas vezes a reação inicial é de rejeição.
E eu mesmo passei por isso. Na primeira vez que ouvi, não gostei. Na segunda, a experiência foi completamente diferente. Às vezes, tudo o que um álbum precisa é que a gente deixe as expectativas de lado e simplesmente dê o play.

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