Três Graças resgatou minha vontade de acompanhar uma novela das nove. Durante muitos meses, foi um prazer acompanhar a trama e se envolver com seus personagens. O início e boa parte de seu desenvolvimento mostraram uma novela segura, bem interpretada e repleta de potencial.
Gerluce se tornou uma das melhores protagonistas dos últimos anos, conduzindo a história com força e carisma. Arminda foi impecável durante boa parte da trajetória, embora tenha ficado no quase quando o assunto era atingir um nível maior de maldade. Ferrete ganhou vida através do talento de Murilo Benício, enquanto Arlete Salles entregou um de seus melhores trabalhos recentes — uma pena que sua participação tenha sido reduzida conforme a novela avançava.
O elenco, de forma geral, esteve em alto nível. Poucos nomes destoaram do conjunto. Ainda assim, em determinado momento, algo mudou.
Um dos maiores problemas esteve nas tramas secundárias. Muitas delas não conquistaram autonomia e acabaram funcionando apenas em função dos núcleos principais. Leonardo e Viviane, por exemplo, surgiram como personagens promissores, mas que depois do início do romance, não vingou. Até mesmo situações que pareciam caminhar para grandes viradas acabaram sem o impacto esperado. A relação deles com Américo poderia ter sido muito mais explorada, assim como diversos outros casais que ficaram sem função dramática por falta de histórias próprias e conflitos consistentes.
O final deixou um gosto agridoce. Nos dois últimos meses, a novela seguiu por caminhos que pouco me agradaram. Arminda e Ferrete, antes personagens fortes e interessantes, passaram a depender excessivamente de frases de efeito, transformando diversas cenas em algo próximo de uma esquete. O problema se agravou nas duas últimas semanas. E isso não se torna um problema se a gente percebe que sem eles, o resultado dessa reta final seria bem pior.
Faltou emoção. Faltou tensão. Faltou aquela sensação de urgência que uma reta final de novela das nove costuma proporcionar. Os acontecimentos foram conduzidos de forma fria, distante e sem o impacto que a própria história parecia prometer. Não por falta de talento do elenco, mas pelas escolhas do roteiro e pelo desenvolvimento adotado em seus capítulos finais.
Três Graças termina como uma boa novela, com personagens memoráveis e muitos méritos. Mas também deixa a sensação de que poderia ter sido muito mais. O brilho que marcou sua primeira fase não conseguiu atravessar a linha de chegada com a mesma intensidade.

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