![]() |
| Foto: Jurandir Marques/Portal Comenta |
Nada de grandes malabarismos, efeitos mirabolantes ou uma produção pensada para impressionar pelo excesso. Durante cerca de 90 minutos, Carol Biazin sustenta o espetáculo praticamente sozinha, prendendo a atenção do público com carisma, presença de palco e, principalmente, talento.
Ao vivo, sua voz parece ainda mais potente. Há momentos em que a plateia simplesmente silencia para ouvi-la, como se todos estivessem hipnotizados pelo que poderia acontecer a seguir. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores forças da turnê: Carol não precisa disputar a atenção do público com o espetáculo. Ela é o espetáculo.
O repertório passeia por músicas do seu trabalho mais recente e também por faixas de diferentes momentos da carreira. A artista encontra um equilíbrio muito bem dosado entre canções mais provocantes e outras que falam sobre amor, vulnerabilidade e aceitação.
“Te Amo Sem Culpa” e “Casula” são alguns dos momentos que ficam na memória. Mas é no set acústico que a apresentação ganha uma camada ainda mais especial. Carol pede que o público guarde os celulares e deixe de lado, por alguns minutos, a necessidade de registrar tudo.
O pedido funciona.
O ambiente se transforma. A relação entre artista e plateia fica mais próxima e o show deixa de ser apenas uma apresentação para se tornar uma experiência compartilhada. O momento que antecede “As Coisas Mais Simples” é especialmente emocionante — e a performance que vem em seguida está entre os pontos mais altos da noite.
Quando a música termina, o público demora alguns segundos para reagir. Não por falta de entusiasmo, mas pelo contrário: parece precisar daquele instante para absorver o que acabou de ouvir antes de transformar a emoção em aplausos.
E é justamente essa a grande surpresa da “Nem Tão Pouco Assim Tour”: Carol Biazin consegue fazer muito com pouco.
Tocando instrumentos, cantando ao vivo e conduzindo as emoções de uma plateia inteira, a artista mostra que não precisa de grandes recursos para preencher um palco. Sua voz, suas músicas, suas luzes e sua presença são suficientes.
Carol Biazin segura um show praticamente sozinha — e o faz com maestria.
No fim, quem saiu de casa para assistir a um espetáculo acabou encontrando algo ainda mais difícil de reproduzir: um momento de conexão genuína entre artista e público.

0 Comentários