"Três Graças" é o grande acerto de Aguinaldo Silva no horário nobre

Três Graças já se consolida como um dos grandes acertos do horário nobre da TV Globo nos últimos anos — e isso passa, principalmente, pelo conjunto da obra: roteiro afiado, direção segura e um elenco que parece perfeitamente afinado com a proposta da novela.

O texto de Aguinaldo Silva é daqueles que não subestimam o público. Os conflitos são bem amarrados, os diálogos soam naturais e os personagens ganham camadas a cada capítulo. Nada soa gratuito. Tudo parece caminhar com propósito, respeitando o tempo da história e a construção emocional de quem está do outro lado da tela.

Sophie Charlotte entrega uma Gerluce extremamente humana. É impossível não torcer por ela justamente por não ser perfeita: ela erra, se contradiz, mas nunca perde o norte de proteger a própria família. Essa imperfeição é o que torna a protagonista tão próxima do público. O romance com Paulinho, longe de apelações fáceis, é construído com cuidado, em pequenas cenas e gestos, fazendo com que a torcida cresça de forma orgânica.

Grazi Massafera vive uma fase inspirada como Arminda. Na nova etapa da trama, a personagem ganha ainda mais força, e a atriz demonstra domínio absoluto do papel. A parceria com Murilo Benício é daquelas que “enche a tela”: há química, tensão e carisma em cada encontro, elevando o nível das cenas em que contracenam.

Arlete Salles é outro grande trunfo de Três Graças. Desde o primeiro capítulo, a atriz se destaca como Josefa, personagem de extrema importância para os rumos da trama. Com sua presença cênica impecável, Arlete transforma cada aparição em um acontecimento, entregando cenas potentes ao lado de seus parceiros de elenco. Josefa rapidamente se consolida como um dos grandes pontos altos da novela, reforçando ainda mais a força do elenco e a qualidade da obra.

Outro mérito de Três Graças é o trato com seus casais. Juquinha e Lorena, Viviane e Leonardo, entre outros, são desenvolvidos com calma, sem atropelos narrativos. O público acompanha o surgimento dos sentimentos, entende os conflitos e, por isso mesmo, passa a torcer genuinamente por cada relação.

Depois do tropeço que foi O Sétimo Guardião, Aguinaldo Silva retorna em plena forma para mostrar por que é um dos maiores novelistas do país. Se mantiver o nível apresentado até aqui, Três Graças tem tudo para entrar no seleto hall das melhores obras de sua carreira, ao lado de títulos históricos como a versão original de Vale Tudo, Senhora do Destino e Tieta. Uma novela que respeita a tradição do gênero e, ao mesmo tempo, aponta, assim espero, para um futuro mais cuidadoso e sofisticado na teledramaturgia brasileira.

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