
Quando Sandy lançou Manuscrito, em 2010, não estava apenas estreando uma carreira solo. Estava se despindo de uma imagem construída ao longo de décadas para mostrar uma mulher vulnerável, insegura e em reconstrução. Dezesseis anos depois, o álbum ainda soa como um abraço em quem precisou aprender a seguir mesmo com o coração cheio de incertezas sobre o futuro.
O disco foge da obviedade. Não há refrões fáceis ou soluções prontas. Pés Cansados abre a obra quase como uma confissão sobre o caminho difícil até decidir voltar pra música, enquanto Ela/Ele — uma das mais emblemáticas — é o ponto alto do álbum com uma história de amor detalhada e que mostra o quanto a artista já havia amadurecido como compositora. Já Duras Pedras e O Que Faltou Ser funcionam como cartas não enviadas, cheias de melancolia e maturidade sobre ser humano.
Depois de uma carreira ao lado do irmão, em Manuscrito, Sandy se permitiu mostrar uma pessoa vulnerável. Uma das únicas canções românticas do projeto, Perdida e Salva ganhou uma nova interpretação com o tempo pelos fãs, que cantam até hoje a faixa como uma declaração para a artista.
Manuscrito não é um álbum para animar festas, mas para curar silêncios. E talvez seja exatamente por isso que ele segue tão necessário em 2026.
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