Na Resenha com Pedro | Daniel Ávila

Foto: @rodrigolopes
Foto: @rodrigolopes

Iniciando a carreira no mundo artístico ainda criança, o ator e dublador Daniel Ávila participou de inúmeros trabalhos de sucesso na TV. A Viagem (1994), Corpo Dourado (1998), Agora É Que São Elas (2003), Floribella (2005), O Profeta (2006) e Rei Davi (2012) são alguns exemplos, no teatro ele transcende ao ter contato com o seu público, e no cinema com certeza já ouvimos a voz dele em diversos filmes que marcaram, destaco O Conde de Monte Cristo e Peter Pan. Ele é o tipo de artista que vai além do que vemos, e foi com o papai da pequena Flor, que bati um papo descontraído e que você acompanha agora. 

Desde já, deixo o meu agradecimento pela disponibilidade e pela atenção dada à mim.

Pedro Lima: Daniel, sua carreira na televisão começou muito cedo (com 06 anos de idade), o que te motivou a enveredar para o meio artístico?

Daniel Ávila: É comecei minha carreira com seis anos de idade. Foi engraçado, porque eu não lembro muito bem. Eu era uma criança tranquila, normal aparentemente, inteligente, esperta, mas não tinha nada que me indicasse, não tinha nenhum parente, não tinha nada que demonstrasse que eu ia ser artista. Só que minha mãe era professora de escola e eu sempre fui muito bonitinho, o xodó das tias, das amigas da minha mãe e o pessoal sempre ficou perturbando falando que deveria me levar para tirar foto, para ser modelo e fazer comercial. E um dia a minha mãe aceitou e me levou na Bloch Editora, que era ao lado da antiga TV Manchete, e chagando lá tinha o teste para o filho do Zé Trovão. Na novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, eu sem saber nada, nem tinha visto uma câmera direito na vida, peguei o teste e levei para casa. Naquela época não tinha e-mail, não tinha fax, não tinha nada. Estudei e minha mãe viu que eu levava jeito, fiz o teste e passei (Risos).  E conheci muita gente, fiz direitinho, me chamaram para outros testes e passei também, então minha carreira começou cedo por causa disso. Tive personagens interessantes, mas foi uma surpresa na verdade.

Foto: @rodrigolopes

PL: Após sua estreia em A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990), você viveu o pequeno Dudu em A Viagem (que será reexibida a partir de dezembro pelo canal Viva). Quais recordações você tem deste trabalho? Neste período, você percebeu o estrondoso sucesso que a novela vinha fazendo?

DA: Depois de Ana Raio e Zé Trovão, que se não me engano foi em 1990, eu fiz uma peça que foi Capitães de Areia com Roberto Bomtempo, que inclusive fazia parte de Ana Raio e Zé Trovão. E aí foi muito legal, ficou um ano em cartaz no Rio de Janeiro, várias pessoas me viram atuando e eu era moleque, tinha sete anos naquela época, não tinha muito moleque atuando e eu comecei a fazer teste para várias novelas, fiz Família Brasil (1993) na Manchete, e (só) depois acabei fazendo A Viagem, que para mim é muito marcante. As pessoas lembram, até hoje, a novela é maravilhosa e foi reprisada várias vezes, eu tenho o maior carinho por esse personagem. E vou lembrar para sempre do Claudio Cavalcanti, que foi o cara que me ensinou muito na vida sobre o que era ser ator.

(Na época) eu não percebi não. Não sabia nem o que era sucesso direito, sabia que as pessoas me viam na rua e comecei a fazer muita entrevista. Ia para os lugares e não podia ficar tranquilo, mas sei lá, naquela época não tinha essa mídia, não sei, eu era criança também. E para mim, não foi só o estrondoso sucesso que foi na época, A Viagem é um sucesso que repercute até hoje, e acho que deve ser uma das novelas que mais foram vista. É maravilhosa, e guardo com muito carinho o Dudu.

PL: Em 2004, você interpretou Rudá de Andrade na minissérie Um Só Coração. Como foi a experiência em interpretar um personagem que existiu na vida real?

DA: Ah... Essas coisas me emocionam. Você poder fazer uma minissérie (de época) sempre tem um cuidado maior, com a parte artística, com a parte estética. Tem também um outro tempo de trabalho, e é diferente da novela. O Rudá era filho da Pagu com o Oswald de Andrade, então foi um barato, eu realmente me concentrei bastante, levei bastante a sério e é uma maravilha você poder documentar um período histórico, documentar artistas, documentar a vida. Viver outras épocas, isso realmente é uma coisa que prezo muito.

PL: Com uma carreira repleta de trabalhos de sucesso, você teve passagens pela Rede Globo, SBT, RecordTV e Band. Como vê a concepção e produção feita por cada emissora?

DA: Olha rapaz, eu não sei muito bem se eu posso te dar um briefing desse, mas vamos tentar. Eu trabalhei, graças a Deus, em todas as emissoras, até na TVE eu fiz um programa de educação, e eu fico muito feliz, isso para mim me deixa contente porque me torna uma pessoa muito popular. E eu trabalho para o meu público, hoje em dia trabalho até na rua, então gosto muito disso, me manifestar para a população, então estar em todas a emissoras me dá isso. A Globo realmente foi uma das que mais trabalhei, e tem um repertorio, tem um histórico, tem profissionais, tem estúdios, tem tecnologia. Ela realmente depende do produto que você vai fazer, também porque tem várias categorias, e na Rede Globo você tem uma fábrica um pouco mais estruturada.

O que posso dizer é que a gente é muito bom nisso! E a gente faz melodrama como ninguém, as emissoras são muito boas, eu sempre acho um barato a nossa indústria. Eu fico chateado que em algum momento da nossa história do Brasil, o cinema e o teatro foi tão atacado, principalmente pela época da ditadura, de morte mesmo de artistas, de falência, de falta de apoio que a gente tem até hoje, e que nosso país tenha como ponta as emissoras, e não o teatro e o cinema.

PL: Além de atuar, você também empresta sua voz a inúmeros filmes e series, como vê a arte de dublar?

DA: A dublagem aconteceu para mim. É uma ferramenta dentro do que é o oficio de o que é ser ator, é mais uma plataforma de trabalho. Eu estava em A Viagem e o Projac não era desse jeito, era alugado e os estúdios da Herbert Richers, então andando pelos corredores, passando por ali me chamaram, com  uns nove anos. Então comecei criança, aprendi dublagem criança, sou apaixonado por dublagem, amo fazer, e é uma possibilidade que a gente tem de fazer obras com produções absurdas e emprestar a sua voz, como você mesmo disse. Eu me sinto colocando a minha voz, a minha interpretação na boca de uma outra pessoa, de um outro artista com outra linguagem, com outro tipo de vivência, com outro tipo de escola, mas eu colocando a minha versão brasileira. Então acho um desafio, uma técnica muito elaborada, e hoje em dia eu venho fazendo bastante isso. A televisão as vezes te pega, outras coisas na minha vida me pegaram e acabei tendo que ficar um tempo sem dublar ou me ausentar de algumas produções, mas eu estou sempre dentro, e agora é a base do meu trabalho. Eu faço teatro, basicamente teatro de rua, o meu grupo Cabaret, o Tá Na Rua e a dublagem é a base do meu oficio.

Foto: Tá Na Rua/Facebook

PL: No teatro você já encenou diversos espetáculos, e atualmente a classe artística vive um dos seus piores momentos. O que tem a dizer aos colegas de profissão?

DA: É, eu concordo com você, e acrescento! Na verdade, sempre foi difícil fazer arte nesse país, principalmente a arte que não se alia a uma política que não se alia as necessidades de um capital, principalmente a arte que é feita para o povo para o coração das pessoas. Seja para instrui-las, seja para cura-las, seja para afaga-las, seja para distraí-las a arte é o produto mais evoluído, é o néctar do ser humano todo ser humano é artista tudo que a gente faz seja qual sua classe social, sua cor, sua profissão é arte! Pode ser arte o existir do ser humano é a arte, é uma necessidade nossa que a gente tem e o ser humano sempre enfrentou dificuldade para fazer arte.

E esse momento é muito curioso. A gente sofreu muito, a gente sofre muito, brasileiro sofre muito, artista brasileiro sofre demais. A gente não consegue evoluir, a gente é atacado diretamente, a gente é exposto em um nível, e rolou muita coisa com a gente, rolou muita falta de vergonha, falta de respeito , uma incisão entre a população e os artistas e sua própria arte, e agora nesse momento de pandemia nesse momento que se busca a cura, que se busca saúde, a arte vem aí apontando como a grande necessidade do ser humano, e eu vim fazer isso na minha vida, eu estou vivo para fazer arte! Espero inspirar as pessoas sempre para viver a vida com mais arte. Então o que digo aos artistas é isso, momentos fortes sempre virão, mas a nossa necessidade de fazer arte de colocar isso na sociedade de cuidar do povo é maior.

Grupo Tá na Rua/Facebook

PL: Quais são seus projetos pós pandemia?

DA: Tenho alguns projetos sim. Dia 28 agora, meu grupo chamado Cabaret Tá Na Rua, irá fazer uma festa online para o pessoal ficar ligado já que completamos três anos. Lembrando que a comemoração será online pois (por conta da pandemia) o grupo  Tá Na Rua, que faz arte pública nas praças com teatro de rua, está parado.

Tem três filmes meus para estrear. Um chamado Hastag, que o diretor é o Caio Sóh, o outro que é do diretor Gabriel Antunes, e o outro que é da diretora Railane Borges. São três personagens bem diferentes, mas com essa coisa da pandemia não sei como vai acontecer e como vai estrear, se vai ser online, se vai esperar os cinemas reabrir. Eu não estou sabendo muito bem disso, mas postarei novidades nas redes quando for decidido.


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